* Coluna publicada no dia 22/11/2013, edição 625 do O Mensageiro.
Esse é o tipo de texto que já nasce pronto, sendo meu apenas o trabalho de localizar as melhores palavras e transcrevê-lo aqui. Ele não é universal, seria estranho se fosse, com todos pensando da mesma forma, ainda mais quando o assunto em questão é política. Minha geração, nascida na década de 90, já cresceu com esse texto pronto, com essa fala mastigada e ensaiada.
Esse é o tipo de texto que já nasce pronto, sendo meu apenas o trabalho de localizar as melhores palavras e transcrevê-lo aqui. Ele não é universal, seria estranho se fosse, com todos pensando da mesma forma, ainda mais quando o assunto em questão é política. Minha geração, nascida na década de 90, já cresceu com esse texto pronto, com essa fala mastigada e ensaiada.
A determinação da prisão de 12 réus condenados no processo do mensalão, delegada na sexta-feira (15/11) pelo ministro Barbosa, é um marco histórico na política brasileira. Mas não é esse o foco da coluna dessa semana, pois a mídia tem falado sobre isso e atualizado os fatos diariamente.
Minha geração é resultado de um discurso ensaiado ao longo
de anos. Um país com uma política falha, impregnada de maus representantes. É
claro que ser absolutista seria um erro. Existem, sim, exceções, pessoas que
tentam mudar o sistema. Mas para poder mudá-lo, é preciso entender como ele
funciona, dominá-lo, e isso só é possível entrando nele, fazendo parte,
colaborando.
Muitos de nós, jovens, tentamos nos manter ao máximo distantes da política. Descasos e escândalos na política nacional nos envergonham e nos anojam, ainda mais por sabermos que somos nós, enquanto sociedade, que colocamos esses governantes no poder, mas nossa decepção é mais fraca que nossa memória, e quatro anos depois assistimos (da arquibancada e do centro do picadeiro circense) as mesmas cenas do mesmo filme, uma “festa pobre que os homens armaram pra me convencer”, e o nariz de palhaço nos cai muitíssimo bem.
Crescemos com um pensamento bem claro sobre política: quanto
mais longe, melhor. Fomos embalados nos berços ao som de Capital Inicial, Engenheiros
do Hawaii e Detonautas, entre outras bandas, e tendo os poetas-cantores Cazuza e
Renato Russo cantando ao “pé do ouvido”. Não sejamos, então, cúmplices de uma
política hipócrita, do tipo de pessoas que comem caviar e digerem torresmo,
pois senão, pensando dominarmos esse sistema, seremos apenas mais uma peça
desse tabuleiro.
Estou longe de ser um revolucionário, só tento entender, aos poucos, o mundo do qual faço parte, a sociedade, as pessoas, eu mesmo. Somos seres políticos, e toda relação onde existam quaisquer tipos de interesses, já é uma relação política. Não confundamos política com partidarismo. Sou apartidário, mas um ser político, que tem interesse e tenta aprender sobre isso.
Em um ano que antecede eleições nacionais, já estamos em
período de campanha política. Desde janeiro de 2011, inclusive. Assistimos,
agora, como já é de costume, a dezenas de liberações de verbas aos municípios,
que tiveram seu orçamento reduzido durante todo o ano e sofrem para fechar as
contas. Mas como os eleitores têm memória curta, a história nos mostra que essa
estratégia política irá funcionar. Ou, então, sou eu que vejo problema onde não
há, e essas dezenas de liberações de verbas são presentes adiantados do Papai
Noel!
Tento me despir do julgamento moral que faço sobre a política partidarista, inclusive regional, para entender o quão belo e inteligente é o jogo de peças desses tabuleiros. Estando fora do jogo, temos a oportunidade de observar as peças sendo movidas, manipuladas – consciente e consensualmente ou não -, em prol do objetivo maior do jogo: a vitória. Nesse momento, o jogo político é sim encantador, admirável, e é assim que a política brasileira se apresenta, por mais cancerígeno que isso seja ao bem social do país.
Gostaria de trazer aqui a solução para tudo isso, uma
fórmula que, como nas exatas, pudéssemos aplicar e resolver o problema. Não
tenho essa fórmula, mas sei que fazemos parte do problema. Talvez se pararmos
de nos colocar apenas como vítimas, mas como agentes causadores e que têm, a
cada dois anos, o poder de mudar isso, temos chance de ver essa perspectiva
podre da realidade melhorar.

