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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

“A pampa pobre que herdei de meu pai”

* Coluna publicada no dia 22/11/2013, edição 625 do O Mensageiro.

Esse é o tipo de texto que já nasce pronto, sendo meu apenas o trabalho de localizar as melhores palavras e transcrevê-lo aqui. Ele não é universal, seria estranho se fosse, com todos pensando da mesma forma, ainda mais quando o assunto em questão é política. Minha geração, nascida na década de 90, já cresceu com esse texto pronto, com essa fala mastigada e ensaiada.
A determinação da prisão de 12 réus condenados no processo do mensalão, delegada na sexta-feira (15/11) pelo ministro Barbosa, é um marco histórico na política brasileira. Mas não é esse o foco da coluna dessa semana, pois a mídia tem falado sobre isso e atualizado os fatos diariamente.
Minha geração é resultado de um discurso ensaiado ao longo de anos. Um país com uma política falha, impregnada de maus representantes. É claro que ser absolutista seria um erro. Existem, sim, exceções, pessoas que tentam mudar o sistema. Mas para poder mudá-lo, é preciso entender como ele funciona, dominá-lo, e isso só é possível entrando nele, fazendo parte, colaborando.
Muitos de nós, jovens, tentamos nos manter ao máximo distantes da política. Descasos e escândalos na política nacional nos envergonham e nos anojam, ainda mais por sabermos que somos nós, enquanto sociedade, que colocamos esses governantes no poder, mas nossa decepção é mais fraca que nossa memória, e quatro anos depois assistimos (da arquibancada e do centro do picadeiro circense) as mesmas cenas do mesmo filme, uma “festa pobre que os homens armaram pra me convencer”, e o nariz de palhaço nos cai muitíssimo bem.
Crescemos com um pensamento bem claro sobre política: quanto mais longe, melhor. Fomos embalados nos berços ao som de Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii e Detonautas, entre outras bandas, e tendo os poetas-cantores Cazuza e Renato Russo cantando ao “pé do ouvido”. Não sejamos, então, cúmplices de uma política hipócrita, do tipo de pessoas que comem caviar e digerem torresmo, pois senão, pensando dominarmos esse sistema, seremos apenas mais uma peça desse tabuleiro.
Estou longe de ser um revolucionário, só tento entender, aos poucos, o mundo do qual faço parte, a sociedade, as pessoas, eu mesmo. Somos seres políticos, e toda relação onde existam quaisquer tipos de interesses, já é uma relação política. Não confundamos política com partidarismo. Sou apartidário, mas um ser político, que tem interesse e tenta aprender sobre isso.
Em um ano que antecede eleições nacionais, já estamos em período de campanha política. Desde janeiro de 2011, inclusive. Assistimos, agora, como já é de costume, a dezenas de liberações de verbas aos municípios, que tiveram seu orçamento reduzido durante todo o ano e sofrem para fechar as contas. Mas como os eleitores têm memória curta, a história nos mostra que essa estratégia política irá funcionar. Ou, então, sou eu que vejo problema onde não há, e essas dezenas de liberações de verbas são presentes adiantados do Papai Noel!
Tento me despir do julgamento moral que faço sobre a política partidarista, inclusive regional, para entender o quão belo e inteligente é o jogo de peças desses tabuleiros. Estando fora do jogo, temos a oportunidade de observar as peças sendo movidas, manipuladas – consciente e consensualmente ou não -, em prol do objetivo maior do jogo: a vitória. Nesse momento, o jogo político é sim encantador, admirável, e é assim que a política brasileira se apresenta, por mais cancerígeno que isso seja ao bem social do país.

Gostaria de trazer aqui a solução para tudo isso, uma fórmula que, como nas exatas, pudéssemos aplicar e resolver o problema. Não tenho essa fórmula, mas sei que fazemos parte do problema. Talvez se pararmos de nos colocar apenas como vítimas, mas como agentes causadores e que têm, a cada dois anos, o poder de mudar isso, temos chance de ver essa perspectiva podre da realidade melhorar.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A má-gia do Natal

* Coluna publicada dia 14/11/2013, edição 624 do O Mensageiro.

Eis que o velhinho do gorro vermelho e barba branca acelera os trabalhos na fábrica de presentes. Sim, sim, falta mais de um mês para o Natal, mas esse texto utiliza-o como exemplo para algumas reflexões a serem
feitas.
O natal há muitos anos vem tendo seu significado cristão deixado de lado, tornando-se uma das datas anuais com maior apelo comercial. Ainda existem, claro, manifestações isoladas que mantém acesa a possibilidade de um Natal de Jesus Cristo, mas o volume de vendas de presentes nas lojas sobressaem a essa minoria.
E sim, novamente concordo que todo ano é esse mesmo assunto, essa mesma crítica. Mas se considerarmos a memória breve e fraca das pessoas, fato esse comprovado por muitos resultados que aparecem nas urnas a cada dois anos, mostra-se necessário, enquanto imprensa e um jovem adulto preocupado com os valores sociais cultivados pela sociedade, que, ano a ano, esse discurso seja resgatado.
Mas também em nada adianta criticarmos e reclamarmos da situação, sem identificarmos o problema e buscarmos soluções. O mundo do consumo domina e invade todas as relações e esferas sociais, e nesse processo não somos apenas vítimas, mas agentes causadores e incentivadores. A mãe cristã que “ama Deus sobre todas as coisas” e que não explica o simbolismo do natal aos filhos é a mesma que passa o ano todo dizendo a eles que “se não obedecerem, não irão ganhar presentes”. E aí, se há um culpado na história, quem é? A mãe que incentiva uma vida consumista e materialista (eis a “má-gia do Natal”) ou a criança que toma os pais como exemplo? Crianças são seres em absoluta evolução, sugam tudo que está em seus arredores. E um comportamento adulto normalmente tem origem em algum aprendizado quando criança.
Falta mais de um mês para o Natal. Se você passou o ano prometendo presentes em troca da educação e respeito de seu filho, vai ser difícil mudar esse conceito tão rápido. Mas ainda há tempo (e sempre haverá!), em longo prazo, para começar a mudar esse conceito.
Bom, aguardemos o espírito de Natal sem muita expectativa, pois talvez o mais simbólico e emocionante desse e dos próximos natais continue sendo as propagandas do Zaffari. Isso se elas também não perderem o sentido!

A capa dessa edição
Como puderam observar, a capa da edição 624 tem apenas duas manchetes, ambas “principais”. Não que faltem acontecimentos na região para incorporá-la, mas pela relevância de ambos os fatos relatados nas duas manchetes. Em uma, a final do 1º Escola em Ação, projeto desenvolvido por esse jornal - através do apoio de entidades e empresas apoiadoras - com estudantes do Ensino Médio da região, buscando integrá-los através de gincanas municipais classificatórias e a final regional. O outro, a 2ª edição da Copa AMASBI, que bateu recorde de participantes, ultrapassando 400 inscritos de 10 municípios da região da Associação dos Municípios do Alto da Serra do Botucaraí.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Por só um 02 de novembro por ano

Olá, leitores!
Cumprindo minha promessa de atualizar o blog a cada triênio, cá estamos.
O blog está de cara nova. Postarei nesse espaço meus textos publicados na minha coluna no O Mensageiro, jornal em que trabalho.
De hoje em diante, iniciamos um novo trabalho por aqui. Nesse espaço, tratarei, a cada semana, de um tema ou abordagem diferente. Opiniões críticas, pensamentos, devaneios, informações... É um espaço aberto ao que mais me chamou atenção no decorrer da última semana, mês, ou das últimas duas décadas. Os textos serão publicados na íntegra, conforme saíram na edição impressa do jornal.
E se engana quem pensa que essa tarefa é fácil. É árdua! Escrever uma coluna requer muita coragem. Sabem por quê? Escrever pensamentos e opiniões exige coragem de exposição. Vocês poderão notar, através de uma leitura atenciosa, o humor, sentimento e perspectiva de mundo do colunista, o que para mim, alguém tímido e que tenta manter sua vida privada, privada, requer muita coragem. Mas há alguns meses, ainda em outro veículo de imprensa, eu amadurecia a ideia dessa coluna. Quero, através desse espaço, oferecer algumas perspectivas diferentes. Talvez, e provavelmente, sairão daqui com mais dúvidas do que respostas, afinal, tenho só 21 anos e quem sou eu para dizer-lhes o que devem fazer? A intenção desse espaço é justamente questionar. Questionar-me e questioná-los. Confrontar opiniões, confrontar-me, confrontá-los.
Nessa semana, a saudade. A saudade de tempos que não voltam mais, ou de tempos que ainda nem vieram e talvez nunca cheguem. Mas seriam esses tempos vazios, não fossem as pessoas com quem nos imaginamos ou lembramos compartilhar. Dividimos sentimentos, dividimos amor, dividimos a cama, o chuveiro, as contas, as tristezas e os momentos de felicidade. Os tempos, bem na verdade, quase não importam. Importantes são as pessoas, familiares, amigos, com quem dividimos essas etapas da vida.
Semana passada, sábado, pode ser chamado de um dia de memórias, histórias vividas, dia do aperto no peito, da lágrima que ainda cai, do suspiro, da dor no coração. Da dor de saudade. De saudade do passado, dos sorrisos, e sim, dos tempos que ainda nem vieram, que viriam, mas que não mais chegarão. Dia do olhar perdido, das histórias revisitadas, do lamento, do choro infantil, do abraço amigo, do olhar que compreende e consola.

Dia de finados? Chamo 02 de novembro de dia da saudade. Para muitos, existem 02 de novembros todos os meses do ano, quase todas as semanas. Dias de saudade. Horas que não passam, dias longos, intermináveis.


Olhando lá do alto...

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