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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Contraste regional: Ernestina em pauta

* Coluna publicada no dia 06/12/2013, edição 627 do O Mensageiro.

Os mais bairristas podem pensar, no início da leitura dessa coluna, que o jornal, por ser de Ernestina, traz destaques somente dessa cidade, ou que essa coluna falará apenas desse mesmo município, mas não. O Mensageiro, por ser um jornal com foco e abrangência regional, atinge oito municípios da região – Ernestina, Ibirapuitã, Lagoa dos Três Cantos, Mormaço, Nicolau Vergueiro, Santo Antônio do Planalto, Tio Hugo e Victor Graeff –, tem sua principal linha editorial voltada a pautas regionais, que abracem o maior número de leitores de diferentes localidades. Isso pode ser facilmente observado nas manchetes de capa das últimas edições: esforçamos-nos em dar ênfase a fatos que influenciem na vida do máximo possível de leitores dessa área de abrangência do jornal. Na coluna dessa semana, Ernestina (e região!) em contraste.
Está em processo final de negociação e é quase certa a instalação de uma distribuidora de peças da Massey Ferguson em Ernestina. Como consta na matéria na página 15, os tratores da Série MF 8600, que atualmente são produzidos na França, serão agora produzidos também no Brasil. Ernestina deve receber um centro de distribuição de peças, que atenderá também clientes de outros países. Projeta-se, de início, a criação de 50 empregos diretos, funcionários esses que serão buscados na região.
A instalação de uma empresa de grande porte não fortalece somente Ernestina, mas toda a região. Em uma rápida conversa com o prefeito do município, Nico, ele afirma que a intenção é buscar funcionários nos municípios da região, tornando possível que esses trabalhadores capacitados encontrem oportunidade de trabalho por perto, não precisando sair em busca de vagas em grandes cidades. Se Ernestina ganha com a vinda dessa empresa, a região também, e fortalece seus vínculos em tempos de graves crises orçamentárias nos municípios. É difícil, enquanto jovem que cresceu por aqui, não criar expectativas com o tamanho desse empreendimento, que deve iniciar suas atividades no segundo semestre de 2014. É a oportunidade de muitos outros jovens ingressarem em uma empresa multinacional sem precisarem residir em grandes centros populacionais.
Se por um lado essa notícia anima, a nova morte nas águas da Barragem de Ernestina traz à tona dois problemas antigos: a falta de segurança a banhistas e a pesca ilegal. Partimos, então, de um fato importante e muitas vezes ignorado: a Barragem de Ernestina é uma represa, não é uma piscina para banho nem um rio de pesca. Simples, mas fato muitas vezes esquecido. Por ser uma represa, não é um local adequado ao banho. Em campings particulares, é de responsabilidade legal desses estabelecimentos a contratação de salva-vidas se for oferecido o serviço de banho. Como explicado na página 19, que traz a reportagem da manchete de capa dessa edição, somente locais de banho públicos – em camping públicos – recebem cobertura da Operação Golfinho, com bombeiros salva-vidas. Além disso, de acordo com um levantamento feito pelo 3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar, publicado em matéria da Rádio Uirapuru em abril de 2013, cerca de 90% dos loteamentos localizados na orla da Barragem estavam irregulares, e os banhos realizados nas áreas em frente a essas propriedades não possuem nenhum tipo de supervisão de salva-vidas.
De acordo com o tenente Paulo Roberto de Souza, citado na reportagem, a utilização de colete salva-vidas evitaria boa parte dos incidentes, independente, também, do tipo de embarcação utilizada. Isso nos remete a outro problema registrado na represa, a pesca ilegal. O corpo do homem que morreu afogado no sábado, dia 23, foi encontrado preso a redes no fundo da Barragem. Ele sabia nadar, mas o que a investigação não havia concluído até o meu contato com a Polícia Civil de Victor Graeff, é se a vítima afogou-se e somente depois se enroscou na rede de pesca ou se ela prendeu-se na rede de pesca e então morreu afogada. O fato é que havia uma rede de pesca instalada ilegalmente no fundo das águas, e isso retoma a esse problema antigo. Existe fiscalização, mas não é viável que ela dedique seu tempo integral a essa localidade. É uma série de fatores que contribuem para essas duas questões que voltaram ao cerne das discussões com esse novo incidente. A orla da represa é destino de lazer de milhares de veranistas de toda a região. O que afirmo agora é opinião conclusiva diante dos fatos que nos são apresentados, não apenas informação: a Barragem de Ernestina não está preparada para receber banhistas. Se estivesse, essas estatísticas crescentes de mortes registradas em suas águas não existiriam.


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